Quando a cicatrização atrapalha: entenda a fibrose patológica

Fibrose: quando a cicatrização se torna problema

Durante a recuperação de cirurgias, traumas ou cicatrização de úlceras, é comum sentir a região afetada endurecida, com nódulos, vermelhidão, alteração de textura e até dor. 

Esse fenômeno costuma estar relacionado à fibrose — resposta natural do organismo que passa a direcionar uma grande quantidade de colágeno para reconstruir o tecido lesionado e fechar a ferida.

O endurecimento local tende a regredir sozinho entre 3 e 6 meses. No entanto, quando essa produção de colágeno se intensifica de forma desordenada, a fibrose pode comprometer a estética local, causar desconforto e, em casos mais graves, prejudicar as funções da estrutura afetada, seja na pele ou em órgãos internos. 

Fatores de risco para a fibrose

Apesar dessa resposta natural do organismo ser muito associada a pós-procedimentos, existem fatores específicos que também aumentam os riscos, entre eles, estão os problemas vasculares, a radioterapia e a predisposição genética.

Problemas vasculares

A relação entre a cicatrização e os sistemas vasculares do corpo é direta, já que a irrigação dos tecidos transporta os componentes necessários para a regeneração. Por isso, quando a circulação é comprometida, a cicatrização também pode ser afetada.

Em condições como a microangiopatia diabética (ocorre em vasos pequenos) e a doença arterial obstrutiva periférica (ocorre nas pernas), os vasos se espessam e a circulação de oxigênio diminui, colocando o corpo em estado de alerta e desestabilizando a cicatrização. Isso acontece porque, ao invés de refazer a pele saudável, os fibroblastos (células produtoras de colágeno) passam a funcionar de forma excessiva, produzindo colágeno com menos controle e qualidade.

Por outro lado, quadros de trombose venosa profunda e insuficiência venosa crônica podem causar hipertensão nas veias acarretando acúmulo de sangue nas pernas — um processo que provoca vazamento de proteínas para os tecidos próximos, inflamando a região. O resultado disso pode ser a lipodermatoesclerose, que é uma fibrose que espessa a pele, enrijecendo e escurecendo a região, causando desconforto.

Radioterapia

A fibrose se enquadra dentro dos possíveis efeitos colaterais do tratamento oncológico por radioterapia, uma vez que o uso da radiação para destruir células cancerígenas pode afetar os tecidos ao redor. 

Isso acontece porque o corpo passa a inflamar essas regiões, estimulando a produção exagerada de colágeno que enrijece a área. É comum que o paciente sofra com essa consequência de forma tardia, podendo aparecer meses ou até anos depois da última sessão.

Predisposição genética

A propensão genética a problemas de cicatrização pode ser determinante para a fibrose se tornar patológica. Algumas pessoas apresentam distúrbios nos sistemas responsáveis pela regeneração, sendo propícias à superprodução de colágeno ou tendo dificuldade de encerrar essa produção e reabsorver a proteína.

Isso demonstra que nem sempre a responsabilidade de uma cicatriz incômoda é da cirurgia ou do cuidado no pós. Por isso, antes de realizar qualquer procedimento é importante relatar aos profissionais se há casos de familiares com queloides (cicatrizes que crescem além da lesão) ou tendência à regeneração hipertrófica (regeneração endurecida por excesso de colágeno).

Como identificar o problema

Além dos sintomas já citados como dor, inchaço, nódulos, endurecimento da pele e vermelhidão, outros fatores também são importantes para a identificação da fibrose patológica.

Dentre alguns pontos relevantes está o espessamento do tecido maior que 2 cm, a pele afetada aderindo aos músculos/gordura e a presença de contratura articular, quando tecidos próximos das articulações são afetados e prejudicam o movimento.

Porém, mesmo apresentando sintomas é necessária a visão clínica de um especialista para garantir uma avaliação adequada que costuma ser acompanhada de exames como:

  • Ultrassom: permite avaliar a dimensão da fibrose na região, inclusive medindo o espessamento do tecido.
  • Doppler: mapeia o fluxo sanguíneo próximo à lesão, sendo que sua redução pode significar o agravamento do problema.
  • Elastografia: mede a elasticidade/rigidez da pele e é decisiva para classificar a fibrose como patológica.

Essa análise aprofundada vai ajudar a identificar o real estado da cicatrização e definir medidas ideais de tratamento, lembrando que o diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de controlar os sintomas e evitar a progressão.

Tratamentos para fibrose

A reversão total da fibrose nem sempre é possível e depende da extensão do problema, da causa e da região afetada. Por isso, ter o diagnóstico o quanto antes é essencial para evitar que um caso se torne maior e mais complexo.

O tratamento varia dependendo das especificidades da questão, com várias abordagens possíveis para reduzir e reverter o processo. Alguns exemplos são:

  • Drenagem linfática: massagem que estimula o movimento da linfa, evitando inchaços, auxiliando na circulação e favorecendo a cicatrização. Ideal principalmente para a fibrose cicatricial em estágio inicial.
  • Terapia de radiofrequência e ultrassom: aquecem camadas profundas de tecido, ajudando a controlar os padrões das fibras de colágeno responsáveis pela cicatrização exagerada.
  • Laserterapia: uso de laser na região prejudicada, reduzindo o estresse oxidativo e ajudando a interromper a produção descontrolada de colágeno.
  • Endermoterapia: massagem profunda com aparelho de endermologia, estimulando a circulação e ajudando na eliminação de líquidos.
  • Corticóides injetáveis: ação farmacológica mais agressiva, tratando inflamações, além de inibir a produção e auxiliar a eliminação do colágeno.

Cada caso exige uma resposta adequada, muitas vezes sendo necessário combinar tratamentos para construir o resultado desejado. Por isso, é fundamental contar com profissionais especializados e equipados para identificar e tratar a fibrose da forma correta.

Agende sua avaliação com a Clínica De Fina e saiba mais sobre cicatrização e fibrose!

A fibrose faz parte do processo natural de regeneração do organismo, mas pode se tornar um problema limitante se não receber o acompanhamento adequado. 

Na Clínica De Fina o conhecimento de especialistas é combinado a métodos e recursos tecnológicos que auxiliam no diagnóstico precoce, mapeando a extensão do problema e promovendo tratamento sob medida.

Além disso, o cuidado para evitar a má cicatrização pós-operatória começa na mesa de procedimento, priorizando a segurança de forma individualizada. Agende uma avaliação para entender seu caso e iniciar o tratamento adequado.

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